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O erótico em Bataille: pensar o corpo & suas quedas

GABRIELLA ESTEVANS

 

Bataille. Nascido George Albert Maurice Victor Bataille, sua literatura teve tantos desdobramentos quanto seus sobrenomes. Percorreu a filosofia, antropologia, economia, sociologia, história da arte e crítica literária. O território mais bem quisto, no entanto, tem chamamento simples. A ínfima ideia de pronunciá-lo é capaz de evocar simbolismos, arrepiar de pelos na nuca, calafrios pelo corpo. O território mais frutífero e fortuito dos escritos de Bataille atende pelo nome Erotismo. Com letra inicial maiúscula como um imponente nome próprio. 


Pensou o corpo como poucos. Amigou-se, pela letra, das paixões. Colocou à prova, nas linhas, a capacidade da carne de provocar pequenos e grandes incêndios. “Do erotismo, é possível dizer que ele é a aprovação da vida até na morte”, sentenciou. É lá, quando nos cansamos da racionalidade, do mental, da cabeça pensante & sem trégua, que a eroticidade faz abrigo. Naquele exato instante em que você lançou seu corpo ao abismo e, por sorte!, alguém fez o mesmo. O desejo se faz na queda. 


É possível buscar a coesão do espírito humano, sussurram as frases bataillianas. É possível buscar a coesão do espírito humano e unir numa só existência desde a santa até o voluptuoso É do humano transformar a atividade sexual em erótica. Uma tríade: o erotismo do corpo, o erotismo sagrado e o erotismo dos corações. Uma desordem violenta. A experiência interior que percorre cada centímetro de pele para fazer erupção nos poros. Bataille e o pós-moderno e visceral e dicotômico e controverso e incompreensível e experienciável. Figuras de linguagem todas a serviço do que tem a não dizer porque é no arrombamento das entrelinhas que o Erotismo se esconde. Tente decifrar e não haverá eco. Entregue-se à queda livre e o que resiste à interpretação se apresentará numa bandeja de ouro. De graça. No olho do furacão e no olhar de quem espia, cheio de tesão, as fechaduras da intimidade. 



Para mergulhar na obra de Bataille: 


História do olho

Texto de estreia de Georges Bataille, História do olho é também sua obra mais célebre e um dos maiores clássicos da literatura erótica do século XX. Chocante e sacrílega, esta novela é a expressão máxima da obsessão do autor pela proximidade entre sexo, violência e morte, e sua dimensão filosófica se depreende do exercício ilimitado que Bataille faz de tal relação. Publicado em 1928 sob o pseudônimo de Lord Auch, o livro acompanha as peripécias sexuais do jovem narrador e de sua amiga Simone. Embebido da atmosfera do surrealismo francês, do qual o próprio Bataille chegou a fazer parte, o relato suspende do horizonte das personagens o interdito do universo adulto e propicia aos jovens uma jornada de extravagâncias que envolvem sadismo, orgias, tortura e loucura, culminando em um ato de transgressão.


Disponível para venda na biblioteca da Nuasis

 
GABRIELLA ESTEVANS

Jornalista, escreve sobre gênero, cultura e política. Também trabalha com pesquisa, planejamento estratégico e projetos com propósito e impacto social.

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