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Goze — com o corpo todo cover

Goze — com o corpo todo

GABRIELLE ESTEVANS

 


“Felicidade — Tão forte e tão doce que por alguns segundos dessa delícia trocaria dez anos de minha vida”

Fiódor Dostoiévski  


*

Memória e mirada: deitamos os olhos sobre o que nos apraz ou fechamos as pálpebras para recordar o que nos emudece. O âmago diz: desejo, desejo, desejo. Molhamos. 


É na superfície da massa cinzenta que a jornada começa. Os neurônios todos escaneando a fotografia do momento. O sistema límbico fazendo a leitura: quero? Não quero? Salivo? Não salivo? 


E aí a pele. O maior órgão do corpo arrepiando pelos, gritando anseios. Toco, encosto, roço, atrito. O termostato completamente quebrado — faz frio calor fogo gelo descendo pela espinha. E a dança. Quadril, encontro dos braços, dedos tateando cavidades sem mapa gps sinal de fumaça senhorzinho na esquina pra indicar o caminho. O coração já não dá conta. Das cordas a vocalidade do tesão em estado bruto. Quem ouve sente os joelhos fraquejarem.

Do nada, no nado, o curto circuito do orgasmo. O buraco negro de no mínimo 33 segundos que nos suga e cospe do outro lado de uma existência atroz. Descargas e formigamentos e faíscas e contorcionismo e intensidade e o microtempo de não existência. O umbigo do mundo das sensações do prazer além do falo. 


A escrita do orgasmo no corpo. Todo. Vestígios do percurso da pulsão. Rastros do querer por inteiro. O banimento da lógica e a chegança do lugar em que as palavras não alcançam. Lacan propõe o falo como significante. Pois veja: eis a proposta nova revolucionária: o falo como insignificante. De unário só a carne. Se há carne, tem gozo. E se há mulher, há um gozo não civilizado pelo fálico. Ela é sempre Outra. E goza no espaço-tempo impossível de significar. 


A mulher é não-toda. 


“Há um gozo dela, desse ela que não existe e não significa nada. Há um gozo dela sobre o qual talvez ela mesma não saiba nada a não ser que o experimenta — isto ela sabe. Ela sabe disso, certamente, quando acontece. Isso não acontece a elas todas.”

E o convite: dos capilares sanguíneos às células mortas; das costelas ao sartório; do pulmão à protusão e retrusão das mandíbulas; do líquido cefalorraquidiano ao sangue ao gozo ao cheiro à baba. Gozemos. Com. O. Corpo. Todo. Encarnemos na carne do corpo sexual ela, a Outra. E façamos casa nesse abismo dostoiévskiano em que vivemos uma vida numa duração de 9.192 631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio-133. Quando olhamos para o vazio, o vazio nos olha de volta. E urra. 

 
GABRIELLE ESTEVANS

Jornalista, escreve sobre gênero, cultura e política. Também trabalha com pesquisa, planejamento estratégico e projetos com propósito e impacto social.

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